Semana passada li um artigo sobre paisagens urbanas, em que se colocava como exemplo modélico o caso de Barcelona, cidade que realmente é referência em termos de composição de espaços abertos. Barcelona tem um urbanismo surpreendente tanto pela alta qualidade de seus projetos, quanto pela quantidade de realizações urbanas.
Então, lembrei de um livro muito legal que comprei quando estava lá: Barcelona, un museo de esculturas al aire libre, de Luuis Permanyer e Melba Levick.
O livro retrata uma sucessão de variados espaços públicos ao ar livre espalhados por Barcelona. São ”ramblas”, praças, jardins, parques e passeios que caracterizam-se como lugares de lazer, ócio, descanso e contemplação, onde a presença de esculturas é significativa. Neste contexto, esses elementos urbanos consistem em obras de Miró, Botero, Tàpies – homenageando Picasso -, entre outros artistas, que permanecem vivos e presentes no cotidiano da cidade.
Abaixo algumas fotos dessas obras, que estão espalhadas por Barcelona, tornando a cidade ainda mais agradável e convidativa ao uso dos espaços urbanos abertos!

Dona i ocell, a escultura de cimento armado, de Miró, emerge do espelho da água e se impõe em relação à praça seca, onde se insere.

No Parc de la Creueta del Coll, a peça de concreto armado, denominada Elogio del agua, fica suspensa por quatro cabos de aço, quase encostando na água. A proposta é que o próprio reflexo da escultura na lâmina d’água faça parte da obra, completando seu desenho.

Um grande móvel antigo, envolto em um lençol com frases de Picasso, fechadas em um cubo de vidro, e imersas na água, constituem a homenagem de Antoni Tàpies ao mestre Picasso. O líquido do espelho d’água flui constantemente de cima do vidro, conferindo à obra Homenatge a Picasso dinamismo e vitalidade. O urbanista Oriol Bohigas cuidadosamente determinou o local onde seria colocada essa escultura, com o intuito de que o obra consistisse em um elemento revitalizador do seu entorno, em que o Parc de la Ciudadella e o Born são pontos cruciais.

O enorme Gato gordo (característica recorrente nas obras de Fernando Botero) está situado junto ao Estádio Olímpico, em Montjuic. O Gato de bronze polido mede 7,17 m de comprimento, 2,28 m de largura e 2,16 m de altura. Sua avantajada escala, sem dúvida, gera grande surpresa e o torna ponto de atração do espaço onde se insere.

Finalmente, e encerrando com muita classe o passeio pelo museu de esculturas ao ar livre de Barcelona, enfatiza-se a obra de Georg Kolbe, muito bem colocada no espelho da água do Pavilhão de Mies van der Rohe. A obra é protagonista na composição do espaço aberto, localizado na parte posterior do emblemático pavilhão moderno.