mai 5 2010

Depoimento de uma geração

Editado pela Cosac & Naify, o livro Depoimento de uma geração – arquitetura moderna brasileira é um acervo de textos publicados no Brasil, a partir da década de 20. Esses artigos, organizados por Alberto Xavier, foram escritos por arquitetos e intelectuais brasileiros, apresentando como tema central idéias preconizadas por Le Corbusier. Entre os autores estão Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Vilanova Artigas, Rino Levi, Lina Bo Bardi, Gregori Warchavchick, Gustavo Capanema, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Roberto Burle Marx, entre outros.

Depoimento de uma geração - arquitetura moderna brasileira, por Alberto Xavier. Foto: divulgação.

Depoimento de uma geração - arquitetura moderna brasileira, por Alberto Xavier. Foto: divulgação.

Ainda não finalizei o estudo dessa bibliografia – o livro não necessita de uma leitura contínua -, mas já indico, pois os textos publicados são de excelente qualidade e enriquecem o debate acerca da arquitetura moderna brasileira.

O depoimento desses arquitetos e intelectuais cria um amplo panorama e uma ótima contextualização dos principais acontecimentos em relação à evolução da arquitetura e do urbanismo modernos no Brasil.


abr 28 2010

Brasília 50 anos

Semana passada, em virtude de seu 50º aniversário, Brasília esteve no foco das atenções. Acho importante que essa data tenha representado um momento de reflexão sobre a capital do nosso pais e seu crescimento, pois, cotidianamente, lemos e escutamos sobre Brasília, essencialmente, através de um enfoque político.

Plano piloto de Brasília. Foto: divulgação

Plano piloto de Brasília. Foto: divulgação.

Brasília destaca-se em relação a outras metrópoles nacionais, e até internacionais, por ter sido completamente planejada. E não só isso, foi projetada urbana e arquitetonicamente  por grandes mestres da arquitetura moderna nacional: Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

O plano piloto

A diretriz do projeto de Lúcio Costa foi o sistema viário composto por vias expressas paralelas e levemente curvas, no sentido norte-sul, e pelo “eixo monumental” no sentido leste-oeste, onde foram implantadas as atividades institucionais – palácios governamentais, ministérios, catedral, teatro, ópera, etc.  Ao longo das avenidas do sentido norte-sul foram dispostas, simetricamente em relação ao “eixo monumental”, as habitações de baixa renda – casas térreas e geminadas – e de renda média e alta – edifícos isolados de apartamentos, dispostos ortogonalmente entre si e localizados nas superquadras (350 x 350 metros).

O comércio local foi implantado ao longo de pequenas ruas perpendiculares ao eixo rodoviário, entre as superquadras. O restante das atividades propostas para a cidade inseriram-se, também de forma simétrica, no entorno próximo ao “eixo monumental”, onde foram incluídas atividades comerciais, bancárias, hoteleiras, hospitalares, recreacionais, entre outras.

O plano piloto para a cidade deixa evidente a intenção de projeto para uma cidade de baixas densidades e alturas que tem como determinante principal a circulação de automóveis, em detrimento dos pedestres. As grandes áreas verdes de Brasília também constituem um grande diferencial da capital em relação a outras metrópoles. Em todas as tipologias de construções, tanto residenciais quanto administrativas, foram previstas áreas de jardim, nas quais a população pudesse ter maior contato com a natureza.

Brasília 50 anos

Passados 50 anos de sua inauguração – ocorrida em 21 de abril de 1960 - constata-se que Brasília sofreu grandes transformações, muitas delas não previstas no Plano Piloto. Um dos maiores problemas da Brasília atual é o seu crescimento demasiado e desordenado. A capital federal também convive com as consequências do planejamento adotado.

Quanto ao seu projeto urbano, é possível dizer que a cidade configura-se de maneira linear, disposta em jardins, o que acarreta elevados custos aos contribuintes. Além disso, a preponderância de grandes avenidas rodoviárias, favorecendo o uso do automóvel, contribui para o afastamento do pedestre na rua. Ainda, a segregação das funções gera um aumento nas distâncias urbanas e, como consequência, a elevação dos custos de infra-estrutura e dos transportes coletivos. Finalmente, como explicita a expressão “eixo monumental”, os elementos arquitetônicos formam um conjunto de distintas esculturas urbanas, não adaptadas à escala humana.

A Catedral de Brasília inserida no entorno "monumental". Foto: divulgação.

A Catedral de Brasília inserida no entorno "monumental". Foto: divulgação.

Como resultado do crescimento descontrolado e de certos aspectos negativos de Brasília, como os citados acima, salienta-se o surgimento das “cidades-satélites”, distantes até 50 quilômetros do centro urbano planejado. De forma geral, esses novos núcleos atendem a uma grande massa populacional que não suporta o alto custo de vida da capital federal.

Dessa forma, na verdade, temos duas “Brasílias”: aquela planejada e monumental e outra que cresceu desordenadamente, porém atendendo de maneira mais realista às demandas do cotidiano urbano.

Congresso Nacional: arquitetura emblemática de Oscar Niemeyer. Foto: divulgação.

Congresso Nacional: arquitetura emblemática de Oscar Niemeyer. Foto: divulgação.

Em minha opinião, a arquitetura moderna de Niemeyer, em Brasília, é exemplar. No entanto, também acho que a monumentalidade deveria ficar apenas para a cidade institucional, localizada no eixo governamental leste-oeste. Para o eixo habitacional norte-sul, talvez caiba uma reflexão e uma revisão quanto à escala das ruas, das edificações e nos espaços públicos.

Nos dias de hoje, em que se fala do encurtamento das distâncias, da redução do uso do automóvel e, também, se reivindica a retomada da vida na rua e a miscigenação dos usos urbanos, parece ficar evidente certas falhas da cidade moderna. Em contrapartida, atualmente, também se discute bastante a importância dos espaços verdes nos centros urbanos, sejam parques, praças ou jardins. Nesse aspecto, Brasília é bastante avançada, se comparada a outras metrópoles nacionais e estrangeiras. Se por um lado as edificações isoladas, envoltas por vegetação, criam grandes distâncias a percorrer, elas também favorecem a ventilação e o maior conforto térmico das edificações.

Do ponto de vista urbano e arquitetônico, Brasília abre-se para o debate, em que podem ser ressaltados tanto aspectos positivos quanto negativos. Independentemente das opiniões diversas, é possível afirmar que a construção da capital federal, na quase inabitada região Centro-Oeste do pais, elevou o Brasil ao olhar e à crítica internacional, mostrando-o como dinâmico e contemporâneo, e, ainda, reforçando mundialmente o renome da arquitetura moderna brasileira.


abr 1 2010

Conservação da arquitetura moderna brasileira

Dias atrás, comentei aqui sobre o livro Modernidade Verde, que revisa algumas obras do paisagista Roberto Burle Marx, em associação com arquitetos de grande importância na arquitetura moderna brasileira. Uma dessas grandes parcerias foi ao lado de arquiteto Rino Levi, em que projetaram a Residência Olívio Gomes, em São José dos Campos.

Projetada pelo arquiteto Rino Levi, a moradia apresenta estreita relação com os elementos naturais a seu redor, cujo projeto paisagístico é de autoria de Roberto Burle Marx.

Projetada pelo arquiteto Rino Levi, a moradia apresenta estreita relação com os elementos naturais a seu redor. Foto: arquivo pessoal.

Antiga propriedade rural, a fazenda onde a casa está inserida também abrigava as instalações da Tecelagem Parahyba. Um dos condicionantes do projeto era preservar a independência das atividades domésticas e fabris.

O painel cerâmico, projetado por Burle Marx, em conjunto com a massa vegetal de cores contrastante, formam uma barreira entre à área fabril e residêncial da propriedade. Foto: arquivo pessoal.

O painel cerâmico, projetado por Burle Marx, em conjunto com a massa vegetal de cores contrastantes, proporcionam o afastamento e a privacidade da área residencial em relação a zona fabril da propriedade. Foto: arquivo pessoal.

Em função disso, a casa foi implantada de costas para a área fabril, voltando os dormitórios e áreas sociais para um grande lago e enorme jardim projetado por Burle Marx. As áreas de serviço e de acesso da residência, acomodam-se sobre uma colina, enquanto o restante da residência sustenta-se em uma linha de pilotis. Esse projeto representa um excelente exemplo da qualificada integração entre arquitetura e paisagismo, em que a união entre ambiências interioes e exteriores agem em perfeita harmonia.

Além da proposta paisagística, cujo desenho das massas vegetais curvilíneas contrastam com a forma geométrica regular da residência, Burle Marx também projetos três painéis cerâmicos. Foto: arquivo pessoal.

Além da proposta paisagística, cujo desenho das massas vegetais curvilíneas contrastam com a forma geométrica regular da residência, Burle Marx também projetou três painéis cerâmicos. Foto: arquivo pessoal.

Logo no início desse ano visitei essa residência, que atualmente está situada no Parque da Cidade – propriedade de toda a antiga fazenda de Olívio Gomes. Infelizmente só consegui visitar a residência por fora, mas por um nobre motivo: a casa está sendo completamente restaurada e logo será aberta a visitação pública. Achei fabulosa a iniciativa da Fundação Cultural Cassiano Ricardo em parceria com a Petrobrás, valorizando e resgatando importantes obras do conjunto arquitetônico brasileiro.


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